Deputados da direita articulam possível cassação de Hugo Motta após revelações sobre relação com Daniel Vorcaro
Coluna do Diário do Poder aponta movimentação nos bastidores da Câmara dos Deputados após divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro
Deputados identificados com a direita, eleitos no último dia 4, já estariam articulando discretamente medidas contra a permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores estaria uma eventual cassação do parlamentar, segundo informações publicadas pela coluna Diário do Poder.
A movimentação ocorre em meio à repercussão de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que revelariam uma relação próxima entre o banqueiro e o presidente da Câmara.
Empréstimo de R$ 22 milhões entra no centro das discussões
De acordo com reportagens sobre o conteúdo das mensagens, Hugo Motta teria intercedido junto a Vorcaro para viabilizar um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões destinado a uma empresa ligada à sua cunhada. O financiamento teria sido utilizado em uma operação imobiliária na Paraíba.
Os diálogos também indicariam tratativas sobre a compra de um terreno em João Pessoa, além de conversas relacionadas a assuntos econômicos e pautas de interesse do Congresso Nacional.
Mais de 100 ligações e 19 encontros
Outro ponto que chama a atenção é a frequência dos contatos entre os dois. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, foram identificadas ao menos 100 ligações telefônicas e 19 encontros agendados ou registrados entre março de 2024 e outubro de 2025.
As mensagens também mencionariam viagens, disponibilização de aeronaves e outros benefícios, elementos que ampliaram os questionamentos sobre a proximidade entre o parlamentar e o ex-banqueiro.
Qual teria sido a contrapartida?
A coluna Diário do Poder levanta questionamentos sobre os motivos dessa relação e sobre uma possível contrapartida oferecida pelo parlamentar. Até o momento, porém, os elementos divulgados não permitem concluir, por si só, que tenha ocorrido uma troca ilícita de favores.
Hugo Motta, por sua vez, negou irregularidades e afirmou que mantém diálogo com diferentes setores empresariais. O presidente da Câmara sustenta que as conversas não demonstram a prática de ilícitos ou favorecimento indevido.
A eventual articulação por medidas contra Motta ainda é tratada como uma movimentação de bastidores. Não se deve confundir a possibilidade de uma iniciativa política com a existência de um processo formal de cassação ou de uma decisão nesse sentido.
O caso segue no centro das discussões políticas em Brasília, enquanto as informações extraídas pela Polícia Federal e as explicações dos envolvidos continuam sendo relevantes para esclarecer os fatos.

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